Porque eu faço CrossFit



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Créditos: The players tribune ®

 

A primeira vez que experimentei o CrossFit não entendi o espirito da coisa.

Eu frequentava academias convencionais regularmente desde o colegial e já estava envolvido com a musculação. Para mim, malhar tinha tudo a ver com rotina. Uma série de exercícios realizados em uma ordem definida por um período de tempo determinado. Mas em 2006 um amigo me mostrou um site chamado CrossFit e me despertou interesse logo de cara.

A primeira “rotina” que experimentei é chamada de “Fran”, e foi uma mistura de “Thrusters” e “pull-ups”. Eu ouvi as instruções e tentei seguir os outros o tanto quanto eu podia. Lentamente eu fiz todos os movimentos, e no final da “rotina” eu não me senti satisfeito. Na verdade, eu ainda lembro de querer fazer flexões depois da “Fran” pois eu achei que seria um treino mais completo. Se eu tivesse julgado CrossFit com base naquela única experiência, eu não acho que eu teria continuado. Mas eu decidi voltar e fazer mais algumas aulas.

Nove anos mais tarde, é justo dizer que o CrossFit definiu minha vida em muitos aspectos. Eu venci o segundo CrossFit Games em 2008, e agora possuo 20 boxes no mundo todo com minha esposa. E o que tornou tudo isto possível foi o ingrediente chave do CrossFit, que eu não tinha dado importância a primeira vez que eu tentei: a intensidade.

Na primeira vez que eu fiz o benchmark wod “Fran”, eu dei apenas de 75% do meu total, então eu só tive 75 por cento dos resultados que eu estava esperando. Enquanto outros métodos de treino focam em exercícios repetitivos e individuais, que visam músculos específicos, o CrossFit é baseado em uma série de diferentes exercícios que se complementam realizados para melhorar a sua capacidade. Sua autodeterminação é a força motriz para tudo.

Eu levei umas duas semanas para entender o conceito, mas depois, em três meses eu já estava completamente viciado. Não foi fácil me convencer pois eu era viciado em musculação, ao ponto de passar duas horas na academia malhando bíceps e tríceps – dividindo os treinos por parte do corpo. Mas depois de começar no CrossFit, eu comecei a ver esses ótimos resultados e malhando por menos tempo, e foi isto que definitivamente me chamou a atenção.

Quando as pessoas perguntam por que o CrossFit é tão diferente ou especial, eu costumo falar sobre duas coisas. A primeira é que ele coloca um temporizador para o seu treino, para que você possa quantificá-los, e, em seguida, se tentar bater o seu tempo anterior. Isto não é a mesma coisa que fazer o mesmo exercício todas as vezes, mas é se esforçar para fazer o melhor treino que você já fez. A competição pessoal é muito mais forte do que usar fones de ouvido e ficar olhando para os outros na academia.

E o segundo é o aspecto comunitário. Ter amigos que te animam e te motivam para o sucesso é uma força poderosa, incrível e também é diversão pura. A energia em boxes ou ginásios CrossFit é sempre super positiva, e de muitas maneiras, as vibrações podem ser benéficas a você como para qualquer outro aspecto do seu treino.

Curiosamente, os praticantes de CrossFit são conhecidos por se tornarem obcecados por este método.

Exatamente.

Nos Estados Unidos, um país que enfrenta uma epidemia de doenças relacionadas com a má saúde e “fitness”, eu não acho que seja ruim ter mais pessoas levando a sério seu condicionamento físico e saúde. O CrossFit não se restringe a um determinado tipo de pessoas. Entre em qualquer box e você encontrará pessoas de todas as formas, tamanho e idade. Todos os alunos no box estarão motivando um ao outro, estão todos motivados com o mesmo foco e um objetivo pessoal. Existe uma razão para as pessoas se tornem apaixonadas pela comunidade do CrossFit: Ela funciona.

Créditos: The players tribune ®
Créditos: The players tribune ®

Eu poderia escrever milhares de exemplos, mas vou citar apenas um. Uma certo dia um homem entrou em um dos nossos boxes corporativos, a Norcal tem alguns boxes dentro de empresas (e por motivos de privacidade vamos chamá-lo de Mike). Ele entrou no box e começou a olhar ao redor. Eu me apresentei e perguntei se ele estava pronto para experimentar o CrossFit. Ele disse: – Não. E explicou que não era um bom momento para ele, e foi embora.

Poucos meses se passam, e um dia eu o vi novamente e disse, “E ai Mike! Você está pronto para fazer CrossFit ? Eu adoraria ser seu coach. Eu poderia trabalhar com você individualmente, só nos dois, e eu vou montar um treino bem simples e fácil pra você.”

Mike fez uma pausa, olhou para mim e disse: “Quer saber Jason? Estou pronto.”

No dia seguinte, começamos as aulas particulares. Mike estava com quase 80 quilos acima do seu peso, e era notável que isto afetava sua auto estima e a maneira como ele se portava. Nós começamos devagar, e eu o encorajei a cortar refrigerante e excesso de açúcar fora de sua dieta. Mike começou frequentar o box regularmente, e no período de um ano, ele perdeu uns 50 quilos. Mas o mais incrível sobre sua transformação foi ver como isso afetou entre as orelhas. Agora, dois mais tarde, todas as vezes que o vejo, fico espantado com o quanto sua personalidade mudou. Ele não é mais desleixo, pelo contrario ele anda com muito mais energia e confiança. É nítido que o trabalho que ele fez no box resultou em efeitos positivos, e isto é o mais importante.

Um dos motivos que algumas pessoas hesitam em fazer CrossFit é essa ideia de que é perigoso. A realidade é que qualquer esporte tem algum tipo de risco de lesões, e muitas pessoas sofrem lesões com outros tipos de treino, sendo uma competição de fisiculturismo ou uma maratona. Mas por algum motivo, está ideia que o CrossFit é particularmente perigoso tem perpetuado.

Qualquer pessoa que já treinou pode confirmar, lesões ocorrem principalmente devido a maus hábitos. Existem bons treinadores no mercado, que fazer o possível para evitar que a aluno se lesione, seguindo uma metodologia da mecânica: Você pode executar bem um movimento? Você pode executar um movimento com consistência? E finalmente, você pode executar um exercício com intensidade? Treinadores devem garantir que todas estas três questões estão atendidas a fim de conter possíveis eventuais lesões.

Quando o aluno conseguir executar um movimento com intensidade, só então é que vamos pedir para aumentar a carga e volume. Em meus boxes as lesões são mínimas, e quando ouço falar de pessoas que se machucaram foi porque muitas vezes elas tentaram realizar esses exercícios em casa sem receber qualquer orientação ou supervisão anterior. Eu não posso falar por todos os box de CrossFit, mas em nossas academias, temos cerca de 3.000 pessoas por dia e raramente vemos lesões.

Créditos: The players tribune ®
Créditos: The players tribune ®

Mas afinal, o CrossFit existe para ajudar as pessoas a evitar lesões, ensinando como se mover corretamente. Uma boa instrução de CrossFit inclui variados movimentos funcionais executadas em sua melhor capacidade. Estes exercícios foram criados para o uso prático no dia a dia. Toda a nossa meta (e isso para mim é realmente o mais importante de entender) é treinar as pessoas o quanto melhor possível no box, a fim de ajudá-los fora do box. É ajudá-los a fazer coisas como levantar seus netos, pegar caixas ou fazer uma caminhada. Você faz CrossFit para que você possa se destacar em todas essas outras coisas.

Tem sido uma honra competir no CrossFit Games entre alguns dos melhores atletas do mundo, mas esta competição a é apenas uma maneira de expressar o CrossFit. A verdadeira magia acontece em pequenas garagens e galpões no mundo inteiro, onde pessoas comuns estão se esforçando para ficar ainda melhores.

Confie em mim, agora eu entendo.

 

JASON KHALIPA

Tradução: Mex Abrusio – www.amrap.com.br

Fonte: The Players Tribune – www.theplayerstribune.com

 

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PERISCOPE do Torneio CrossFit Brasil 2015

PERISCOPEVocê que não pode ir ao Torneio CrossFit Brasil, assim como eu devido a uma cirurgia, pode acompanhar a transmissão ao vivo (e que ficam disponíveis por 24 horas a partir da sua gravação) aqui pelo seu computador ou pelo app Periscope. Baixe na Apple Store ou Goggle Play e procure o usuário bfcgomes (Bruno Gomes) atleta da CrossFit Proteus e AMRAP Brasil, e as narrações do Marcel Dias, também atleta da Proteus e AMRAP Brasil.

Os links para o desktop são:

Wod 2: Tres minutos para RM de Cluster – O Cluster é uma variação do Thruster, o atleta inicia com um squat clean e completa com o overhead do Thrustes. Veja o exemplo neste video

 

Wod 3: AMRAP de 6 minutos:

  • 20 metros de hand stand walk (andar de parada de mão)
  • 20 Snatches (35/50kg)
  • 20 metros de Front Rack Walk Lunge (35/50kg)
  • a maior quantidade de Ring Muscle Ups possíveis até o final do tempo.

Veja os videos do periscope no nosso canal do YouTube!

 

 

Abs

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A história do Torneio CrossFit Brasil – Por Tiago Heck

Crédito da foto: Revista CF
Crédito da foto: Revista CF

Olá amantes da intensidade, a evolução das provas do Torneio CrossFit Brasil, desde seu aparecimento em 2010 até hoje, é algo que pode ser avaliado juntamente com o crescimento do CrossFit no país.
Lá traz, quando tinhamos menos que 10 boxes por aqui e poucos atletas, me lembro que o Joel buscou se inspirar no CrossFit Games de 2009, que foi realizado ainda no rancho em Arenas, California.
Pode se dizer que a essência do CrossFit estava em cada prova e em cada atleta que competiu aquele Games de 2009.
Estiveram presentes, naquele que seria o ultimo ano no famoso rancho, corridas na montanha, escada de força com pausa de 30 segundos apenas e primeiro muscle-up da vida. Tudo era novo!
Quando testamos as provas em 2010, nossos recursos eram um box de CrossFit, não muito grande por sinal, com um quarteirão cheio de descidas e subidas e os equipamentos básicos do nosso dia a dia – barras anilhas, medballs, etc.
Nada de trenó ou air bike para pegar todos desprevenidos no quesito “nunca usei isso”. Apenas as composições das provas e a criatividade em encaixar cada uma de forma diferente. Até porque os atletas, ainda inexperientes, tinham meses de CrossFit somente, mal sabiam p básico, eles eram apenas “sedentos” por competição!
Lembro que a primeira prova foi uma Cindy piorada, com peito na barra (novidade até então), onde lembro também que o atleta favorito, Felipe, que tinha os melhores tempos dos benchmarks, abriu a mão no “chest to bar” (nunca tinha feito) e se prejudicou logo no inicio do torneio!
E essa é a essência de que falo, a de pegar todos de surpresa, do inesperado, do que realmente define qual é o homem e a mulher que estão mais prontos pra qualquer coisa!
Já hoje, aja criatividade pra conseguir gerar o mesmo impacto nos atletas, principalmente no CrossFit Games.
Todos devem ter visto em 2015, a prancha de surf (tipo stand up) na primeira prova e a parede de escalada na final – o que foi bem contestada nessa edição. Analisando quantos atletas realmente conseguiram escalar aquilo, que foram poucos, o fator inesperado pode ter sido irreal para a proposta de um CrossFit Games.
Aqui no Torneio, parece que a natação finalmente entrou no cenário, e não vejo exagero e nem descompasso, pois sempre se falou de natação no CrossFit. É um grande esporte e faz parte da proposta de condicionamento fisico, não que a escalada não faça, na verdade, faz muito também, mas fugiu da realidade um pouco! Depende muito mais de detalhes técnicos para realiza-la do que uma capacidade física sendo testada, vocês me entendem?
Voltando ao torneio, em 2011, já tinhamos mais box de CrossFit no Brasil e atletas mais experientes! Mas o ambiente foi o mesmo, um box, no caso a CrossFit Brasil! Isso limita um pouco claro, mas ainda eram poucos os participantes, poucos mas importantes hoje no cenário nacional, veja só os que estavam lá: Lupa (que venceu em 2011), Luiz Mello e Leo da CrossFit BH, a super Anita (que venceu também) e Vivi da CrossFit Jundiaí e muitos outros atletas que hoje estão em destaque! Sem esquecer do Tiago Lopes da CrossFit SP, que venceu em 2010 mas não foi pra essa etapa em 2011!
Sem contar os que foram lá torcer e assistir e que hoje são head coachs e tem seu próprio box! Lembro que no intervalo da competição teve um campeonato de levantamento terra (deadlift) e eu participei, mesmo estando na organização, afinal era tudo uma festa, sem uma cobrança tão grande como é hoje! Até bati meu recorde lá e levei o título, olha só!
Em 2012, a coisa ficou mais séria e foi parar no Ginásio poliesportivo de Barueri, onde é até hoje! Essa historia parece exatamente com a do CrossFit Games, nas suas devidas proporções!
E tudo foi maior este ano de 2012, a estrutura, o numero de atletas e de organizadores!
Sinceramente preferia ter competido do que organizado! Foi o torneio mais complicado que já teve, eramos todos amadores no quesito grandes eventos – fazendo um comparativo, seria igual no inicio da pratica do CrossFit, quando estamos aprendendo a levantar peso e colocamos carga demais e o movimento sai todo errado, sabe?
Pois foi o que aconteceu, de 2011 para 2012 o passo foi grande demais, e quase deu tudo errado, teve até prova cancelada por causa da falta de tempo hábil, mas no final acabou tudo bem e nesse ano conhecemos o principal campeão do TCFB até hoje, o grande Chiquinho!
Em 2013 me classifiquei e resolvi competir! Bem
melhor que organizar, mil vezes melhor na verdade! E foi incrível a experiência, estar lá dentro realizando as provas é outra história.
Em 2013, deu tudo certo na organização do evento e a coisa ficou muito mais profissional e esse foi o ano que o Torneio CrossFit Brasil se tornou um grande evento! Provas com o fator surpresa como puxar trenó e uma escada de clean and jerk e snatch no mesmo minuto, pegaram a galera desprevenida, como deve ser uma competição deste nível!
Foi em 2013 também
que o Denis, fundador da recente Revista CF, me procurou e me chamou para ser colunista dele. Acreditei nele e aqui estamos!
Finalmente em 2014, já não se tinham mais duvidas que seria um grande evento. Antes de tudo, aconteceram pela primeira vez, as seletivas pelo Brasil inteiro. Já no dia, o publico lotou o evento, as provas foram de alto nível de dificuldade e os melhores atletas do país estavam presentes! Tivemos a Assault Air Bike como a grande surpresa, algo que a maioria dos atletas nunca tinham nem ouvido falar. E o mais legal foi que em 2015, um ano depois, a air bike foi uma das surpresas na final do CrossFit Games! Ou seja, não estamos tão desatualizados assim, muito pelo contrario!
E vamos torcer que o CrossFit no país continue evoluindo, que apareçam mais e mais atletas, que o Torneio continue sendo referencia de um evento bem organizado e que os outros eventos tenham em sua organização profissionalismo e ética! Só assim evoluímos todos juntos!

Texto: Tiago Heck, o primeiro coach do Brasil – hoje sócio da CrossFit Sampa

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